Autores
Afonso Cruz



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Ana Margarida Falcão



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Barry Wallenstein



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Eduardo Pitta



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Fernando Pinto do Amaral



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Francesco Benozzo



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Francisco José Viegas



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Graça Alves



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Inês Pedrosa



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Jaime Rocha



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João Carlos Abreu



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Joel Neto



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José Manuel Fajardo



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Júlio Magalhães



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Karla Suárez



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Manuela Ribeiro



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Pedro Vieira



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Rui Nepomuceno



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Valter Hugo Mãe



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Yang Lian



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Moderadores
Ana Isabel Moniz



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Castanheira da Costa



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Diana Pimentel



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Donatella Bisutti



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Francisco Fernandes

Participações Especiais
Giorgio Longo



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José Viale Moutinho



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Manuele Masini



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Massimo Cavalli

Sáb, 17/Mar/12
Sáb, 17/Mar/12

 

«Looking at what has been already done

Poetry is looking for answers to

Questions that have not been asked as of yet.»

 

O desafio da epígrafe é do poeta grego Titos Patrikios, de quem se leu um poema para motivar o debate sobre o tema «Éramos violentos e não sabíamos». E não podia haver entrada menos pacífica do que a do poeta americano Barry Wallenstein: «A liberdade é uma coisa que não me interessa para nada.»

 

Retomando um tema sobre o qual já discutira com Yang Lian, na Universidade da Madeira, Barry reforçou o papel ilusório da liberdade. «A liberdade é muito ilusória e tem servido de máscara para a paz. A paz perdeu qualquer referência positiva. Só é positiva quando penso em coisas como: “Vou ter uma tarde livre.” Prefiro ficar longe da Liberdade. Acho a questão da violência mais interessante.»

 

 

Nesta luta entre o valor da paz e da violência, Wallenstein dá o primado à violência. «Até os poemas de amor não fogem à questão da violência. Um poeta que fuja disso corre por um caminho muito perigoso.» Exemplo dessa omnipresença da violência é o 11 de Setembro, que «influencia os poetas, sobretudo os que vivem em Nova Iorque. Influencia até aquilo que não se refere directamente ao 11 de Setembro. E não acho muito interessante que se escreva directamente sobre isso».

 

Em registo muito diferente, João Carlos Abreu preferiu o tom give peace a chance. Comprometido com a paz e o amor, o autor negou a importância da violência e da guerra enquanto dínamo poético. A poesia, para este autor madeirense, deve estar ao serviço da paz e do amor. «Mesmo enquanto político, diziam-me: “Quando dizes uma palavra tudo fica mais calmo.” E eu acho que um político-poeta pode dar um contributo muito positivo no processo de diálogo.»

 

 

O comprometimento voltou ao debate, desta feita através da voz do poeta nebuloso Yang Lian. Alcunhado como misty pelo governo chinês, devido a sua contestação do regime, Lian centrou a sua intervenção no poder do «chega». Um escritor que usa a caneta, a sua escrita, para dizer «chega». O mesmo «chega» que ouviu da boca de Titos Patrikios a propósito da cidade-estado de Siracusa, que era democrática, mas que impunha uma atitude imperialista aos estados vizinhos. «Já chega, Siracusa.» E este «chega» não será tanto uma atitude com vista à mudança mas algo mais profundo. «Esta energia, este “chega” deve ser um lastro que nos leve mais fundo e nos estabilize.» A segunda palavra crucial para Lian é «o Outro», a contingência e a necessidade de ser «o outro». «Eu sou “o outro” no meu país, eu sou “o outro” para as restantes culturas e devo ser “o outro” para mim mesmo. Devo procurar “o outro” enquanto processo criativo, enquanto tentativa de aprofundamento pessoal.»

 

«Às vezes os poetas falam com os poetas.» A declaração foi de Jaime Rocha, a propósito do poema de Titos Patrikios. Ele, que nasceu numa terra, a Nazaré, onde as mulheres se vestiam de negro, correndo as praias à espera da chegada dos corpos dos náufragos. «Eu vivia essa tragédia. Mas era uma tragédia silenciosa e aí ou nos fechamos ou nos abrimos. Assim, como é que eu vou encontrar as palavras para falar da minha infância?» O teatro foi o mecanismo que Jaime Rocha encontrou para refletir sobre essa tragédia, sobre essa violência a 50 metros da costa, à vista das mulheres aos gritos. «Isto era o teatro. Mas nessa altura, como eu estava muito influenciado pelo Sartre, escrevia peças com pessoas sentadas a pensar e a refletir sobre a vida. O Bernardo Santareno leu o que escrevi e mandou-me ler o Herberto Helder. O Herberto foi um choque, uma pancada muito grande. Aí passei do teatro para a poesia.»

 

 

Fernando Pinto do Amaral uniu as pontas deixadas soltas pelas intervenções anteriores, ao sublinhar a importância da alteridade, de descobrir «o outro» que há em nós. Quanto à questão da violência, Pinto do Amaral prefere falar em tensão. Sobre o subtema «Como a poesia pode mudar a nossa vida?», recorreu a uma experiência pessoal: a forma como ultrapassou uma crise existencial através da leitura de Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís.

 

«A violência está profundamente enraizada na poesia», garantiu Francesco Benozzo. «Um poeta tem de lutar sempre, não necessariamente contra um poder político, mas tem de lutar contra os hábitos, contra os lugares-comuns.» A linguagem foi a forma encontrada pelo homem para lutar contra a opressão da realidade. O homo-poeta, aquele que começou por nomear a realidade, iniciou esse processo de combate, segundo este poeta italiano. «Na poesia irlandesa antiga, diziam os textos que para se ser poeta era preciso dormir durante semanas numa caverna, a comer restos como cães vadios e mais tarde sair e matar um veado. Como veem, a violência sempre esteve associada à poesia.»


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por festivalliterariodamadeira às 13:19 | comentar | partilhar

1 comentário:
De RG a 17 de Março de 2012 às 16:29
Excelente síntese! Deixaria apenas uma referência a essa violência que (alguma: a melhor?) poesia exerce sobre a linguagem, que me pareceu outro veio importante do debate (sobretudo nas intervenções de Barry Wallenstein e de Francesco Benozzo). Abraço.


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